7 empreendedores brasileiros que começaram do zero

LEITURA DE 15 MIN

Nem todo empreendedor começou com altos investimentos. Muitos, inclusive no Brasil, começaram com muito pouco — se arriscaram, inovaram, perceberam boas oportunidades e fizeram acontecer. Hoje, são conhecidos por milhões de brasileiros e mostram que, apesar de muitas dificuldades, também é possível empreender com pouco dinheiro.

É por isso que, para te inspirar, montamos uma lista de empreendedores brasileiros que começaram do zero e hoje têm negócios prósperos. É claro que cada um tem sua história e há muitos fatores diferentes na receita do sucesso, mas é sempre importante analisar a trajetória de quem chegou lá e ver o que também podemos fazer no dia a dia. Confira:

Empreendedores brasileiros que começaram pequenos

Antonio Alberto Saraiva

Diferente do que muitos pensam, o dono da franquia Habib’s nasceu em Portugal (e se naturalizou brasileiro). E começou com a padaria de seu pai, enquanto estudava Medicina em São Paulo.

Enquanto estudava na universidade, o pai de Antonio foi assassinado em um assalto à padaria. O filho largou os estudos e assumiu o estabelecimento. Literalmente colocando a mão na massa e apostando em preços 30% menores do que a concorrência, Saraiva tirou o negócio da quase falência e, em 16 meses, já conseguiu vender.

Dali ele não parou. Embora tenha se formado e conquistado seu diploma de médico, o que atraiu Saraiva foi o espírito empreendedor. Nos anos seguintes abriu e vendeu a Casa do Pastel, a Casa do Gnocchi, a Casa da Fogazza e um rodízio de pizza.

Mas o empreendimento mais conhecido começou em 1988, quando Paulo Abud, um senhor de então 70 anos, bateu à porta de Saraiva oferecendo seus serviços de cozinha árabe. O resto você já consegue imaginar, certo? Ali nascia o Habib’s, no bairro da Lapa. O restaurante ficou conhecido pelos seus baixos preços e, em quatro anos, já eram 16 lojas.

Foi na 17ª unidade, que uma cliente ficou impressionada com os preços baixos e disse que também queria abrir uma loja. Saraiva gostou da ideia e transformou o Habib’s em uma franquia.

Confira uma entrevista dele:

Eloi D’Avila

Eloi D’Avila é dono da FlyTour, uma companhia de turismo voltada a empresas e que emprega mais de 5 mil pessoas. Sua história tinha tudo para ser trágica, mas é repleta de superação. Começa aos oito anos, em Porto Alegre, quando fugiu de casa por conta de um cunhado alcoólatra que batia nele.

Como morador de rua, Eloi começou a pegar caronas até chegar em São Paulo. Em uma das viagens, com menos de 12 anos, foi trabalhar em uma padaria, quando se desentendeu com um padeiro que deu um soco na sua boca e quebrou seus dentes frontais.

Após trabalhar para uma família em São Paulo, foi ao Rio de Janeiro. Lá, após trabalhar lavando e guardando carros, virou office boy na Stella Barros, que era então a maior agência turística do país. A dona permitiu que ele dormisse no sofá e, pela primeira vez em muitos anos, não estava mais na rua. Eloi guarda, até hoje, sofás de dois lugares em suas lojas para se lembrar de suas raízes.

A dona da Stella Barros também consertou os dentes do empreendedor e o ensinou a falar português corretamente. Aos 17 anos, mais preparado, voltou a São Paulo para ajudar a irmã, que tinha seis filhos.

Aos 20 se casou.  Para manter a família, fazia jornada tripla: trabalhava no Bradesco, na Linhas Aéreas Paraguaias e na rodoviária. Imagina, só?

Quando o filho nasceu, já era diretor de vendas na LAP. Porém, a crise veio por lá e Eloi ficou desempregado. Porém, há males que vêm para o bem: foi chamado por um hoteleiro, da rede Panamericana de hotéis, para se tornar representante no Brasil.

Em 1974, como representante da rede, finalmente conseguiu criar a EDO, que hoje é a FlyTour, uma das principais empresas de turismo do país.

Assista a uma palestra dele:

 

Flávio Augusto

Conhecido pela suas palestras motivacionais e por ser “sangue no olho”, o carioca Flávio Augusto da Silva é fundador da Wise Up, uma escola de inglês com mais de 500 unidades. Ele mesmo começou o negócio sem saber falar inglês, mas sabendo vender muito bem.

Criado na periferia fluminense, aos 19 anos trabalhou em uma escola de inglês vendendo os cursos por orelhão. Em quatro anos era diretor regional comercial e, ao 23, pegou um empréstimo para abrir sua própria escola. Em um ano, já tinha mil alunos. O crescimento veio com sua ambição e sua garra em vender mais e mais.

Hoje mora em Orlando com a família e, inclusive, é dono de um time de futebol da cidade, o Orlando City. Além disso, é responsável pelos sites Meu Sucesso e pela página Geração de Valor, que compartilham dicas e inspiração para empreendedores.

Veja uma de suas palestras:

Geraldo Rufino

Aos 11 anos, Geraldo Rufino catava latas de óleo em um aterro sanitário. Hoje, perto dos 60 anos, é dono da JR Diesel, uma empresa especializada em desmanche legalizado de caminhões, que fatura mais de R$ 50 milhões ao ano.

Aos sete anos, após a morte da mãe, abandonou a escola na 2ª série. Só voltou a estudar quando foi trabalhar no Playcenter e o gerente do parque o incentivou. Aos 15, comprou o primeiro carro e, aos 25, já tinha dois caminhões para transportar adubo.

Em 1985, um desastre virou oportunidade. Os caminhões sofreram acidente. No prejuízo, Rufino desmontou os automóveis e vendeu as peças rapidamente. Foi aí que notou o mercado que estava em sua frente e montou a JR Diesel.

A empresa que começou com apenas ferramentas manuais, hoje já desmonta quase 1.000 caminhões por ano.

Veja sua apresentação falando sobre a trajetória:

Luiza Trajano

Dona da rede Magazine Luiza, a empreendedora também começou cedo, aos 12 anos. Aproveitava as férias escolares para cuidar da loja de seus tios, em Franca, no interior de São Paulo. Aos 18, começou a trabalhar como efetiva por lá.

Em 1991 assumiu o comando da empresa e trouxe, desde cedo, a inovação para a companhia. Em 1992, quando a internet engatinhava no Brasil, desenvolveu o conceito de “lojas virtuais” e possibilitou que a marca chegasse ao país todo.

Apostou sempre na aproximação com os clientes, em oferecer crédito fácil e rápido, com juros pequenos. Luiza também ficou conhecida por defender o espaço das mulheres nas empresas e pelo empoderamento dos colaboradores.

Funciona. Hoje a rede tem mais de 700 lojas físicas e Luiza é conhecida como uma das executivas mais poderosas do país.

Assista a Luiza contando sobre sua visão:

Sílvio Santos

De longe, o mais conhecido dessa lista, o dono do SBT é um exemplo claro de empreendedor de sucesso. Filho de dois imigrantes judeus, Senor Abravanel (seu nome real), nasceu no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro.

Ainda com 14 anos, viu um homem que vendia capinhas de plástico para guardar títulos de eleitor e decidiu fazer o mesmo. Tinha apenas 45 minutos por dia para vender. Esse período era o almoço dos guardas que proibiam atividades de camelô.

Sua voz ficou conhecida pelo Rio de Janeiro e ele foi convidado para trabalhar na Rádio Guanabara. Mas preferiu continuar como camelô, onde faturava mais. Aos 18, no Exército, precisou voltar às rádios.

Pegando uma barca em Niterói, decidiu colocar alto-falantes no transporte. Além de música, colocava anúncios de produtos e, até mesmo, de cartelas de bingo sorteando prêmios. Dois anos depois, veio ser radialista em São Paulo e até criou uma revista.

E 1958 comprou uma empresa de um amigo: o Baú da Felicidade. Era um sistema de carnês que vendia brinquedos a prazo: o consumidor pagava todo mês e recebia no Natal. Silvio Santos gostou da ideia de crediário e passou a oferecer brinquedo, carros, casas e eletrodomésticos. Na TV, criou o programa “Vamos Brincar de Forca”, que se tornou o “Programa Silvio Santos”, onde fazia propaganda do Baú da Felicidade.

Com mais produtos, Silvio precisou criar novos empreendimentos para abraçar a demanda. Foi assim que, entre 1965 e 1975, fundou e comprou dezenas de empreendimentos e construtoras e concessionárias, criando a holding Silvio Santos S/A.

Mas o empreendimento mais famoso do executivo, o SBT, surgiu em 1975, quando venceu a concorrência pública para o Canal 11, do Rio de Janeiro. A emissora nasceu com outro nome: TVS. Nos anos seguintes, Silvio Santos ganhou a concessão de outros canais — que se transformaram no Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT. O resto é história.

Veja dicas de empreendedorismo do Silvio Santos:

Samuel Klein

Samuel Klein, o fundador das Casas Bahia, faleceu em 2014 deixando um dos maiores legados para o empreendedorismo brasileiro. Polonês naturalizado em São Caetano, Klein chegou até a ser preso pelos nazistas e enviado a campos de concentração na Polônia.

Conseguiu fugir dos campos de concentração com 21 anos e foi procurar pelo pai na Alemanha. Veio ao Brasil com a mulher e um filho de 2 anos. Chegou ao país com apenas US$ 6 mil, que usou para comprar uma case e uma charrete.

No Bom Retiro, bairro de São Paulo, passou a vender roupas de cama, mesa e banho de porta em porta. Quando alguém não podia pagar, oferecia as opção de parcelar em crediário — sistema que se tornou chave do sucesso das Casas Bahia.

Em cinco anos,em 1952, comprou sua primeira loja, no centro de São Caetano do Sul. “Casas Bahia” foi uma homenagem a imigrantes nordestinos, que eram os principais clientes da empresa. Lá ele começou a negociar móveis, colchões e todo tipo de itens para a casa. A empresa continuou a crescer até chegar a ter presença em 17 estados e 57.500 funcionários.

Confira entrevista do empreendedor:

Equipe Dono do Negócio

O Dono do Negócio é um blog feito pela SumUp para te ajudar a vender melhor.