Que tipo de negócio abrir em meio à pandemia?

Para muitas pessoas que perderam o emprego com carteira assinada, ser dono do próprio negócio pode ser uma solução para enfrentar a crise do novo coronavírus
13 de julho de 2020LEITURA DE 13 MIN

Em meio à crise, uma oportunidade. Muitas empresas já fecharam as portas por causa do impacto financeiro negativo gerado pelo novo coronavírus. Afinal, até o momento, a melhor estratégia para combater a doença é o isolamento social, que diminui a circulação de pessoas e proíbe o atendimento presencial de clientes em muitos setores. Mas, com tudo isso, é possível pensar em um tipo de negócio para abrir em meio à pandemia? A resposta é sim. 

Para descobrir como o atual cenário econômico pode ser aproveitado por pequenos empreendedores – seja para não perder uma oportunidade promissora em um ramo específico ou pela necessidade de gerar renda durante a crise – o Dono do Negócio conversou com Davi Jeronimo, consultor de negócios do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). 

Segundo o especialista, independentemente do ramo escolhido para investir neste momento, existe uma regra indispensável para aumentar as chances de sucesso da nova empresa: vender pela internet. “Mesmo que você tenha um negócio tradicional, tem que trabalhar digitalmente. Vai abrir uma loja de roupas? Precisa ser online!”, aconselha. “Neste momento, você não deve abrir uma loja física, em hipótese nenhuma, qualquer negócio que vai ter que trabalhar com contato físico tem risco muito grande de não dar certo”. 

Para Davi, estar no mercado digital aumenta as chances de chegar aos clientes. “Todo mundo hoje está conectado, e o consumidor vai mudar de postura, porque ele gostou de comprar remotamente e receber o produto em casa. E este novo hábito deve continuar”. O especialista ainda alerta: “mesmo que depois você vá abrir um ponto fixo comercial, digitalize o seu negócio neste momento, esteja nas redes sociais, numa plataforma de venda ou no seu próprio e-commerce”.

Além das compras online não terem sido tão impactadas quanto o comércio físico, para aqueles que podem investir em um negócio neste momento também existe a oportunidade de atuar em setores que tiveram baixas por falta de adaptação rápida ao mundo digital. Se fechou uma loja de produtos naturais no seu bairro, por exemplo, pode ser o momento de abrir um comércio deste tipo desde que ele venda, faça entregas e consiga receber pagamentos online.

De acordo com Davi, as empresas que mais estão sofrendo ou que tiveram que fechar definitivamente por causa do coronavírus nem sempre estão ligadas a um setor específico, mas sim à falta de adaptação às vendas pela internet. “Quem não mudou para o digital, nós nem sabemos se irá voltar a reabrir”, diz o especialista. “Os negócios com ponto de vendas que não tiveram a expertise em se adaptar rápido acabaram sofrendo impactos significantes”. 

O fechamento por falta de adaptação inclui até mesmo o ramo de alimentação, que pode escolher vender por delivery neste momento, mas que para isso precisa mudar para plataformas digitais e muitas vezes ainda adaptar o cardápio para as entregas. Afinal, não basta estar online, é preciso fazer uma boa divulgação e conseguir chegar aos clientes em meio à concorrência. 

“Quem já estava trabalhando com delivery, onde a forma principal de trabalho era com entregas, não teve impacto nenhum, teve crescimento”, comenta Davi. “Agora, aquele tradicional, por exemplo, que tinha um cardápio que realmente era impossível de entregar via delivery, se ele não se reinventou, se não fez um cardápio diferenciado para o cliente, e se o cliente não tomou conhecimento do serviço de delivery, até essa divulgação acontecer, pode ter demorado um certo tempo e impactado nos resultados que o restaurante queria”, completa. 

Então, se você está pensando em começar um negócio em meio à pandemia, deve se atentar não apenas a ser digital, mas em seguir quase todas as mesmas regras de uma empresa com ponto fixo, com muita pesquisa e planejamento. “Tem que ter um estudo e ver o que a pessoa tem de competência e que gosta de fazer”, afirma Davi, que também ressalta a importância de construir uma boa logística para negócios online: “é preciso vender produtos que compensam o frete, não adianta abrir uma loja de produtos de 4 ou 5 reais e o frete custar 30 reais”.  

A lista de pontos positivos em abrir um negócio em meio à pandemia inclui a maior chance de conseguir negociar os preços pagos por estes produtos ou pela matéria-prima que você irá utilizar. Isso porque, fornecedores também foram impactados com o fechamento ou a diminuição das vendas das empresas durante a crise. Com estoques parados, poderão estar mais abertos a encontrar a melhor solução de preço, prazo de entrega e forma de pagamento para ambos os lados.

Mas, afinal, por onde começar?

Comece pelo plano de negócios. Esse documento é aliado do pequeno empreendedor, que poderá descobrir se há demanda para o tipo de produto que pretende vender, conhecer os concorrentes e entender o mercado no qual entrará. Muitas ferramentas online permitem montar um planejamento sem sair de casa, como as próprias consultorias do Sebrae e sites de pesquisas do mercado digital, como Ebit e E-commerce Brasil.

Quanto custa abrir um negócio em meio à pandemia?

Investimento financeiro também é um passo importante no momento de decidir que tipo de negócio abrir em meio à pandemia. O valor inicial para vender online é naturalmente mais baixo do que o necessário para ter um ponto fixo, e inclui principalmente os valores dos produtos ou das matérias-primas utilizadas na sua produção. 

Lembre-se de também colocar no papel custos e despesas como taxas de marketplaces para expor seus produtos (Mercado Livre e Magazine Luíza são alguns exemplos) e de aplicativos de entrega (como Ifood e UberEats). Caso consiga ter a sua própria loja virtual, acrescente aí também o orçamento para o desenvolvimento da plataforma e, claro, os gastos com divulgação digital, como de publicações pagas em redes sociais e anúncios. 

Quando se cadastrar como MEI (Microempreendedor Individual)?

Para o consultor do Sebrae, o pequeno empreendedor deve se tornar MEI com conhecimento sobre quais serão as suas obrigações fiscais, ainda que elas sejam poucas. “É preciso separar a pessoa física da pessoa jurídica”, explica Davi. “Assim que tiver uma ideia sólida, é importante abrir um MEI, uma conta no banco, começar a criar um relacionamento com o gerente, ter acesso às maquininhas de cartão”, completa ao ressaltar que, como pessoa jurídica, os juros podem ser menores em negociações de crédito. 

>> O especialista lembra ainda que, caso esteja recebendo o seguro-desemprego, é melhor esperar para abrir um CNPJ para não perder o benefício. 

Se você está pensando em abrir a sua empresa em meio à pandemia, mas ainda não sabe o que, confira 3 tipos de negócio para investir no momento:

  • Alimentação

A procura por estabelecimentos que entregam comida continua firme mesmo com a crise financeira do novo coronavírus. Por isso investir no ramo da alimentação pode ser uma boa ideia para quem vai vender pela internet e receber pagamentos online. Hoje existem algumas opções de aplicativos de delivery que tiram a preocupação da logística do pequeno empreendedor e fazem a entrega das comidas ainda quentinhas do seu endereço à casa do cliente. Lembre-se: essas plataformas têm um custo que deve ser analisado e considerado no planejamento do negócio. 

  • Entretenimento

A forma mais eficaz de se proteger e proteger os outros do novo coronavírus até o momento é o isolamento social – obrigatório em muitas cidades. E as pessoas que puderam trabalhar de casa e não têm necessidade de sair além do essencial acabam buscando por caminhos para se divertir em meio à pandemia.  Esse conjunto faz com que a procura por entretenimento aumente e torne favorável setores como o de jogos online ou o de produção de vídeos para o Youtube. Empresas que invistam na criação de games e de conteúdos podem ser uma boa ideia para o momento. 

  • Educação

Da mesma forma que muitas pessoas começaram a trabalhar no esquema home office, as escolas, faculdades e os próprios alunos também tiveram que se adaptar ao modelo de ensino à distância. As ofertas de cursos online se tornaram mais interessantes para o consumidor, que muitas vezes também busca um caminho para ocupar o tempo de uma forma produtiva. 

Se você já pensou em vender o seu conhecimento – em qualquer área – este acaba sendo um momento favorável. As aulas pela internet podem ser individuais ou em grupo, e contam com a facilidade de acesso às videochamadas em aplicativos como Google Hangouts, Zoom e Jitsi.

Decidiu abrir um negócio para enfrentar a crise financeira causada pelo novo coronavírus? Conte sua experiência para nós!

Equipe Dono do Negócio

O Dono do Negócio é um blog feito pela SumUp para te ajudar a vender melhor.